Voltando ao início: a escolha pela Engenharia Elétrica
Gosto de lembrar da primeira escolha “profissional” que fiz: a graduação em Engenharia Elétrica.
Foi um caminho mais ou menos assim: até o 9º ano (8ª série, na época), eu falava em Psicologia. Mas, a partir do colegial, com a paixão desde sempre pela matemática, comecei a hesitar diante da escolha de um curso de humanas e biológicas — zero exatas.
Participei de um grupo de Orientação Profissional e, perigosamente, acabei interpretando de forma reducionista uma frase da orientadora, algo mais ou menos assim: “escolha algo que você goste e possa fazer a vida inteira; não escolha algo que tenha curiosidade, a curiosidade pode ser sanada já na graduação, antes mesmo de você começar a trabalhar”.
Tem lógica? Claro que tem. Mas precisamos ter cuidado: quando simplificamos demais, categorizamos excessivamente nossas escolhas. E perceba que, até aqui, eu já estava com duas categorias bem definidas influenciando a decisão.
Então era isso. Quer dizer, na verdade, não era. Não seria Psicologia. Não era exatas para eu fazer para o resto da vida — e tinha cara de curiosidade.
Assim como eu respondia no início da faculdade de Engenharia Elétrica quando perguntavam: “por que escolheu este curso?”
— Por eliminação.
Eu não mentia quando dizia isso. Foi mesmo. Sei dizer exatamente por que não escolhi nada diferente. Mais perto da escolha, o que eu queria era Engenharia Mecatrônica; algo com robô parecia encantador. Mas aí, de novo, dei ouvidos a alguém. Alguém mesmo — nem sei o nome. Numa feira de profissões, ele defendeu que Engenharia era melhor nas mais básicas: nada de muita especialidade. Civil, Elétrica ou Mecânica.
Pronto. Curso escolhido.
Narrando assim, parece até brincadeira, né? Mas não é…
Ainda assim, vou me esforçar e dizer o que, além da eliminação, me atraiu para a Engenharia Elétrica: muita matemática e a possibilidade de desvendar alguns mistérios, como uma calculadora de R$ 1,99 que carrega com a luz do sol e faz todas as operações matemáticas; uma tecnologia tão “pequena” (uso aspas porque é óbvio que, com celulares e afins, existem — e já existiam — tecnologias muuuito menores); e um controle de TV, todo programado para aquelas funções, que emite sinal através de uma luz.
Só mais um esclarecimento: não considerei aqui os fatores menos racionais que interferiram nisso tudo. Quem sabe, em outro texto, eu abra esses questionamentos.